Algumas dicas essenciais para se tornar mais informado sobre música

ATENÇÃO: Esta matéria tem caráter opinativo, sem a mínima e ingrata motivação de tomar posse da verdade absoluta. Essa, por sua vez, inexistente.

A Próxima ideia não é o Wikihow, mas os guris se esforçam. Essa matéria é pra quem tá cansado de sempre ouvir as mesmas músicas, mas não sabe por onde começar a expandir os horizontes. Pra quem é sempre surpreendido pelos lançamentos dos artistas favoritos, se vê sem conseguir aprofundar-se nos seus estilos preferidos, sente-se preso às mesmas playlists das mesmas plataformas, ouvindo os sons das mesmas gravadoras, com os mesmos produtores, as mesmas propostas e a mesma visão artística.

Este é um esboço inicial, um método prático da filosofia por trás da jornada de transformação, em prol de tornar-se uma verdadeira enciclopédia de música, um carteiraço ambulante, um nerdão na arte de reconhecer e categorizar artistas, álbuns, tendências, gêneros e o contato geral com referências, samples e todas as camadas audiovisuais, históricas e contextuais por trás de qualquer estilo e movimento artístico/musical a ser estudado.

De maneira mais reta: algumas formas, em tópicos, de como organizar tuas ferramentas, plataformas e redes para conhecer mais fado bala.

Direitos Autorais – FOX

Antes de começar nosso ritual inspirador, amigável, celebratório de compartilhamento e globalização cultural, aqui estão algumas informações que você precisa saber:

– Desde 2015, o dia da semana oficial para lançamentos, tanto internacionalmente como para muitas labels e artistas independentes do Brasil é na virada de quinta para sexta, 00:00. É uma medida da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI). Em futuras matérias, abordaremos mais sobre as organizações, uniões e federações que figuram de forma essencial na indústria.

– Leve em consideração que assinar uma plataforma de streaming é um investimento necessário. Futuramente, falaremos sobre as influências, vantagens e desvantagens das plataformas de streaming no contexto atual e futuro da música. Em todo o caso, elas são imensos facilitadores ao acesso de música e recomendo fortemente usá-las.

Música é um presente do universo. A pulsão de uma onda sonora, com timbres únicos, organizadas em tempos repetidos, por sua vez criando padrões que são capazes de promover sentimento é uma representação quase mágica, considerando o caos e as infinitudes da existência. Essa jornada clama para que o viajante esteja aberto para entender novas experiências e movimentos, representados por diferentes estilos musicais e artísticos. Em português: tenta entrar na onda, irmão.

– Ao mesmo tempo, se tornar eclético é um aprendizado, reconhecendo contextos e desenvolvendo um olhar analítico sobre diferentes trabalhos, mas não se force a gostar de todas as experiências. Naturalmente, somos inclinados a reforçar e encontrar prazer no que faz sentido nas nossas realidades, com a música cumprindo um papel social identitário importantíssimo na sociedade ocidental contemporânea.

– Evidentemente, nem tudo será possível na rotina de todos, pois muitos leitores não trabalham diretamente com produção cultural ou arte, possuindo outros focos na vida. O ideal é retirar o máximo de dicas possíveis que são compatíveis com a tua rotina, curtir a viagem da matéria e se debruçar nas dicas de som e plataformas que serão apresentadas.

Bora conferir umas dicas de como ficar ligado em lançamentos, estudar as origens de tudo e se tornar, no geral, mais informado sobre música?

Pra entrar na onda do post, põe pra tocar esse álbum viajadíssimo do John Frusciante, ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers, lançado nessa última sexta:

1 – Conferir canais e plataformas de mídia regularmente

Lembra de como a MTV revolucionou a forma do jovem olhar pra música, se tornando a maior referência de tendências e decretando a essencialidade da linguagem audiovisual como extensão da indústria fonográfica nos anos 90? Eu também não, porque eu nasci em 98! Mas deixa eu te contar: o jornalismo musical tá mais vivo do que nunca.

Não tem segredo. Quem busca por um referencial maior de música, com diferentes filtros e curadorias, precisa se informar através de canais e plataformas que entregam conteúdo sério. Notícias, entrevistas, matérias aprofundadas, contextos históricos da música clássica e contemporânea, recomendações semanais… todas são essenciais para o conhecimento brando de música.

Claro que as redes sociais são um facilitador de informação. Aliás, toda a plataforma de mídia tem um Instagram. Entretanto, a falta de aprofundamento do conteúdo visualizado apenas em questão de segundos no feed e nos stories compromete o desenvolvimento de uma visão crítica e bem fundamentada sobre quaisquer assuntos e temas, incluindo música. Refletiremos sobre a função (importantíssima) das redes sociais e como usá-las de maneira eficaz para conhecer mais música ao longo do texto.

Então, por onde começar?

Nesse segmento, citarei algumas das minhas plataformas de mídia favoritas, cada uma com propostas e produções diferentes. O objetivo não é listar todas as mídias do mundo, mas elucidar o argumento com exemplos, e para que você tenha uma base para iniciar sua própria busca.

Como organizar a rotina: eu costumo abrir sites de notícia todos os dias para ler antes do início do meu expediente, pelas manhãs. Durante a noite, após completar minhas últimas demandas de trabalho, procuro assistir pelo menos dois vídeos aprofundados ou um documentário sobre arte e cultura. Também reservo um turno por semana unicamente para me atualizar ou estudar mais a fundo um movimento artístico específico.

Para ler: Recomendo fortemente a Revista Noize para conteúdo nacional, e a Pitchfork para conteúdo internacional. As duas possuem uma característica muito importante para a democratização do acesso à cultura: expandem os horizontes de conhecimento do leitor sem abrir mão de falar sobre o que é mais popular.

Existem MUITAS revistas e plataformas incríveis, com editorias e objetivos diversos. A XXL Magazine, por exemplo, é a maior referência pra ficar ligado no trap internacional. A Rolling Stone Brasil tem carregado o bastão de mídia mais relevante sobre música no país. A revista Trip é perfeita pra quem curte uma leitura mais descontraída, sem perder o viés cultural. Se aproximando desse universo e dando um Google espertíssimo, é possível encontrar pelo menos uma plataforma de mídia que tenha uma proposta ao seu gosto.

Para assistir no YouTube: na gringa, recomendo o Needledrop (canal do Anthony Fantano, atualmente, o mais conhecido crítico musical do mundo), a Complex News para notícias, a Apple Music para entrevistas e a secção de música da VOX, que fala de muitos temas fora da caixa.

No Brasil, o Quadro em Branco aborda temas de maneira muito criativa, a RAPTV faz um trabalho muito consistente sobre hip-hop e a Rolling Stone Brasil é um ponto inicial de mídia geral com bastante prestígio. Assim como nas leituras, existem muitos outros canais com uma curadoria de conteúdo incrível, basta saber por qual tipo de matérias você busca.

Para ouvir: Internacionalmente, gosto muito do Rap Radar (disponível no Tidal e no Youtube) e o Joe Budden Podcast, disponível apenas no Youtube em território brasileiro.

De podcasts brasileiros, gosto muito do podcast do Tenho Mais Discos que Amigos, o PodCLAV, que passa a visão sobre tecnologias e inovação no mundo da música e o G1 Ouviu, pela qualidade da produção e busca de pautas. Todos estão disponíveis no Spotify.

Recomendação extra: Polyphonic. Tem os melhores minidocs sobre a história da música contemporânea que eu já vi! (E quem não ama um minidoc!?)

2 – Ouvir (muita) música

Tá em casa? Tem que ter som rolando. Tá na rua? Tem que ter som rolando. Não tem Spotify no PC do trabalho? Baixa. Se não puder, usa o YouTube. Se não puder, usa o celular.

Pois se essa é uma matéria para conhecer mais música, minha dica principal é escutar música! Preferencialmente sem parar, desde o momento em que você acorda, até dormir. Foi pra rua, colocou os fones e, indo pra parada de ônibus, encontrou um vizinho? Finja que não viu! Nesse universo ideal, tudo o que importa é ouvir um som.

. Infelizmente, isso é impossível. Não recomendamos colocar um fado estourado numa reunião de trabalho (no máximo um jazz). De verdade, todo o mundo sabe que o melhor momento pra ouvir música é não fazendo nada, além de ouvir música. Em todo caso, aqui vão alguns costumes que eu tenho e me ajudam a ser multitarefas em algumas situações:

Ouvir música sempre que estou fazendo algum trabalho “mecânico”, que me permita um momento de isolamento sonoro;

Escutar música dormindo. Sim. Principalmente em dias de lançamento ou quando bate a insônia, minha JBL quadradinha me acompanha com algum gênero mais tranquilo. Seja um EDM experimental ou algo mais orgânico como folk e bossa nova. Entretanto, não recomendo ouvir Frank Ocean depois das 2AM caso você não quiser chorar;

Escutar música estudando. Pode ser feito o argumento de você não conseguir se concentrar. Nesse caso, lembre-se que o mais importante é concentrar tua atenção nos estudos, com a música sendo um mero plano de fundo.

Um som com o volume baixo ocupa bem menos a cabeça do que um fado estourando a caixinha. Uma track instrumental ou em algum idioma estrangeiro desconhecido, como Árabe, Norueguês, Romeno ou uma das quase 600 línguas Bantas também é mais fácil de acompanhar, do que em Português;

Em casa, é regra ouvir música tomando banho, fazendo a barba, cozinhando, lavando a louça e fazendo faxina. Correndo e na academia também!

Aliás, o @ruanhidratado criou uma playlist pra dançar no mercado, confere aí:

3 – Explorar os eventos à tua volta.

Como produtor cultural, o entretenimento passa a não só cumprir um papel de lazer, como também de estudo, conhecimento e promoção de cultura. Nesse contexto, por exemplo, não é vantajoso que eu, apaixonado por hip-hop, abra mão de conferir uma rave, um baile funk ou um festival de música experimental quando me surge a oportunidade. Assim, tomando conhecimento dos sets dos DJs, dos artistas que fizeram show e claro, curtindo muita função.

Além disso, lembramos que escolhemos fazer parte da construção de uma integração de culturas, e em diferentes experiências, levamos em conta os valores de cada tribo. Buscar por essas experiências ajuda a derrubar tabus e pré-julgamentos que todos os seres humanos são passíveis de ter ao olhar para o desconhecido.

Até dentro de um único movimento, existem diferentes eventos e festivais com propostas únicas. No cenário do hip-hop de Porto Alegre, por exemplo, podemos encontrar tanto slams (apresentações de poesia falada), batalhas (como a da escadaria da Borges e a do Mercado Público) e as festas (como a Bronx e a LOVA).

Pra quem quer começar a viver uma vida centrada na cultura, sair da zona de conforto é uma necessidade, dentro da realidade financeira de cada um e do que a cena dispõe à tua volta.

A discussão pode também ser conectada com a importância de conhecer e visitar museus (tanto públicos, quando privados), feiras, exposições, bazares, mostras culturais e, no geral, festivais (mensais, semestrais, anuais ou bienais) que promovam cultura, no geral. Entretanto, já que o foco da matéria é ajudar no teu aprimoramento para conhecer música, deixamos essa discussão complexíssima para textos futuros.

Enquanto sigo buscando por novas experiências aqui em Porto Alegre, um dos meus sonhos mais imponentes e distantes é dar um pé no Isle of Wight Festival. É um festival antiguíssimo numa ilha do canal da mancha, na Inglaterra, que já teve lendas como Amy Winehouse, Jimmi Hendrix, The Doors, Caetano e Gilberto Gil (!) se apresentando lá!

Pessoalmente, não sou muito fã dos artistas que estarão na edição de 2021, mas já pensou na vibe de curtir essa história?

isleofwightfestival.com

4 – Como utilizar sua plataforma de streaming ao máximo?

Obs: Nessa secção, vou utilizar o Spotify como exemplo, pois é a plataforma que eu uso. Entretanto, muitas dicas são adaptáveis para todas as plataformas de streaming!

Considerarei que todos estejam previamente cientes quanto ao daily mix, rádio de artistas/músicas, como curtir músicas na rádio e como verificar novos lançamentos na plataforma. Bora?

Ver os créditos – Existem opções de visualizar os créditos em virtualmente todos os apps de música (legalizada). Desse modo, é mais fácil pegar a visão de quem produziu, escreveu e performou a faixa, podendo procurar mais música feita por esses colaboradores.

Nos créditos de composição, é veiculado o nome real dos escritores, em vez do nome artístico. Quem sabia que o nome verdadeiro do Frank Ocean é Lonnie Breaux?

Descobertas da semana e Radar de novidades – Se você possui Spotify, não pode deixar de conferir essas playlists, semanalmente. São criadas especialmente para o teu algoritmo, e o “Radar de novidades” é exclusivamente de lançamentos.

Pra quem tem outra plataforma de streaming: tem algum serviço parecido? Conta pra nós, nos comentários.

Seguir artistas e curtir músicas – A ação de segmentação principal das plataformas de streaming é a de seguir. Quanto mais artistas sua conta estiver seguindo, maiores as chances do seu algoritmo se tornar mais eclético, ajudando na qualidade das playlists de “descobertas da semana” e “radar de novidades” e nas recomendações da rádio. Você ainda acaba recebendo mais notificações de lançamentos e recomendações diferenciadas na página inicial.

Atividade de amigos – No app pelo Desktop, a aba “atividade de amigos” é perfeita para acompanhar o que seus amigos têm curtido. Em tempo real, mostra a última/atual música que as pessoas que você está seguindo estão ouvindo. É ótimo ficar ligado nessa lista pra buscar sons fora do teu radar.

Como organizar as playlists? Em primeira mão, a tática de 2 tipos de playlists:

Playlists gerais – Aquelas de 1500 músicas (e subindo).  São playlists segmentadas por estilo, ficando em aberto como diferenciá-los. A intenção é realizar um primeiro filtro das músicas novas ouvidas, adicionando todas as faixas que você gostar nessas listas. Possuem um papel essencial para não esquecermos algumas faixas nessa jornada. Não tem problema se elas ficarem uma bagunça. Aliás, é pra isso que elas servem!

Playlists de momento – Os sons pro treino, pra ficar tranquilo, pra ouvir no ônibus, pra dar play quando te passam a missão de botar o som na resenha… até aquela playlist sexytime que tu usa 90% das vezes pra tomar café olhando pra chuva se encaixa aqui.

Também é interessante buscar por playlists de terceiros, sejam criadas pelo próprio Spotify, como outros usuários. De preferência, atualizadas semanalmente.

Por falar em playlist: dá uma olhada na Chilli Vanilli, minha playlist de R&B alternativo e jazz rap, diretamente de 2019… perfeita pra uma sesh tranquila.

5 – Wikipedia

Ela mesma. Mal falada, rejeitada, escorraçada pela comunidade acadêmica e pelos professores de ensino médio que queriam referências mais vastas no nosso trabalho de geografia! Não teve nenhum lugar onde aprendi mais sobre música do que na Wikipedia. Ela vale tanto para pesquisas rápidas de artistas, como suas páginas sobre movimentos musicais são completíssimas! Caso você não quiser ficar apenas na página, as diversas referências do artigo estão nas notas de rodapé.

Artistas iniciantes: vocês já criaram a página da Wikipedia de vocês?

6 – Outras dicas

Trilhas sonoras de séries e filmes – Vez que outra, encontramos aquela soundtrack perfeita em uma série, documentário ou filme. Nada custa dar um Google na trilha sonora! IMDB, Spotify, WhatSong… alguma dessas plataformas vai dar a tão esperada resposta. Quando procurar por trilhas de séries, não esqueça de procurar a trilha por episódio, se estiver usando o IMDB;

Ter um caderninho de anotações pra não se perder também é importantíssimo, visto que nem sempre podemos abrir o Spotify quando recebemos uma recomendação de música;

Ler livros. É algo diretamente atrelado à busca por referências, e apesar de não ter ganho uma secção própria, é de senso comum sua essencialidade, não importando se for livro físico ou e-book! para iniciar tua jornada, recomendo essa matéria da Noize, que fala sobre 10 livros essenciais para quem ama música:

Criar um Instagram próprio para seguir apenas conteúdo. Assim, teu perfil pessoal não é dominado por páginas de mídia/artistas que não são necessariamente teus favoritos, além de criar um espaço específico para se manter informado;

Criar tua própria arte. Mesmo pra quem não possui a aspiração de ser um artista! Escrever, tocar um instrumento, aprender a produzir numa DAW como o FL20… tudo vale, em prol de aprendermos, na prática, alguns conceitos e técnicas que não aprenderíamos se não tivéssemos essa experiência.

Assim como é para os nossos leitores, música é coisa séria na Próxima Ideia. É aprazível, estonteante e transcendental poder compartilhar um pouco da minha metodologia com vocês. Quais são outras maneiras de se organizar? O que faltou? Fala pra nós nos comentários!

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