THE OG: um questionamento sobre originalidade

“Felipe Original, fala tu que eu to cansado” “Original GE” “Adidas Originals”

Alguma dessas frases – ou todas – te soam familiar? Percebe que elas tem algo em comum? Então, vamos falar um pouquinho sobre originalidade?

Segundo a definição do grandioso Google: ORIGINALIDADE

substantivo feminino

qualidade do que é inusitado, do que não foi ainda imaginado, dito, feito etc.; singularidade;
criatividade; inovação.

Todos esses termos não estão errados mas acredito que a questão é muito mais profunda que isso principalmente quando analisada pelas lentes do mundo da moda.

Ser original está muito mais interligado com o comportamento inovador em cima de uma ideia pré existente, por exemplo. Uma nova abordagem. O estilo Upcycling que se tornou tendência dentro do movimento slow fashion é um claro exemplo de originalidade: a criação de um novo produto usando uma peça como base, o que torna diferente da reciclagem já que não interferem diretamente na peça e nem na desintegração do tecido.

A Marcelle Ferreira transforma camisas de time em bolsas, shoulder bag e tudo mais o que for possível mantendo a proposta da camisa e os detalhes.
No Instagram é @marcelleff e o @projetorecicle; vale a pena o view!

Desde 2015, a partir das semanas de moda de Nova Iorque até Paris, muito se fala sobre a busca da originalidade através da conexão com o passado e com o lugar de onde se veio. O interesse por mostrar a sua verdade, a própria identidade, a fim de gerar conexão com o cliente. Encontrar cada vez mais pessoas que se identificam com o propósito se tornou maior. Talvez o objetivo seja considerar menos as tendências e buscar trazer estilos mais marcantes e reconhecíveis. É sobre legado.

Quer um exemplo? A própria Adidas possui uma linha chamada Originals onde apresenta peças mais casuais com um toque retrô vibes onde a logo Trefoil aparece unicamente nelas – mas também com a clássica três listras -. Entende quando digo que originalidade tem muito mais a ver com origem, com raízes, com profundidade do que com tendência?

Quando ouvi o podcast “Meu Nome É Correria” onde Thaíde entrevista o icônico Mano Brown, senti uma imensa vontade de falar sobre o que é ser original. Brown solta uma fala que me marcou bastante: “Não adiantava você parecer com o Public Enemy. Parecer era uma coisa estética, era bonito, sentia orgulho de parecer, de vestir a mesma roupa mas isso não vai poder te salvar”.

“Meu Nome É Correria” é um podcast apresentado por Thaíde e é apoiado pelos Fones Philips

Ser original parte muito da ideia do inovador e do revolucionário mas tem muita ligação com teu eu interior; com quem tu é; com a tua história e com a forma que tu vai expressar pro mundo.

Original mesmo foi Dapper Dan, que usando a logo de grifes inventou o streetwear com a arte da logomania aproximando a alta costura da cultura de rua. Original mesmo foi Emicida e Fióti que criaram a LAB e colocaram diversidade real nas passarelas do SPFW 2016.

Diante Dixon em 1989 usando uma jaqueta com mangas bufantes criada por Dapper Dan totalmente estampada com a logo da grife Louis Vuitton
Desfile da LAB, marca de roupas de Emicida e Fióti, no SPFW em 2016

Ser original é percepção. Contracultura. Ou até mesmo usar as ferramentas de tendências de forma única. Originalidade tem a ver com interior. É termo que vai muito além de moda.

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