CABELO AFRO, HISTÓRIA E AUTOESTIMA DE PRETAS E PRETOS

CABELO AFRO, HISTÓRIA E AUTOESTIMA DE PRETAS E PRETOS

Mulheres e homens negros sempre foram vítimas de racismo e preconceito desde o período escravocrata. Discriminados ainda mais por seus cabelos crespos. Escravizadas faziam tranças em seus cabelos para obterem uma “melhor” aparência e esconderem arroz e sementes para se alimentarem. Já homens raspavam ou tinham seus cabelos raspados por senhores de escravos já que achavam a estética do cabelo afro feia e com aparência de sujo.

Observação: a história de que as tranças nagôs durante a escravidão indicavam mapas como fuga NÃO foi comprovada. Ou seja, pode ser fake news, não espalhem!

Na década passada, mulheres negras influentes começaram a soltar seus crespos e cachos nas redes sociais e mídia de massa, o que influenciou outras a se empoderarem. Mas o reconhecimento de que sim, o cabelo crespo é lindo e carrega uma grande história fez com que outros pretes pudessem finalmente assumir e fugir do padrão estético que a sociedade sempre impôs à eles.

Ter cabelo liso quando se era criança e/ou adolescente era passar por um processo de aceitação e adequação a branquitude no meio social, o que não impedia de evitar o racismo que se era sofrido. Ver pretas e pretos assumindo e amando seus cabelos e seus traços, ainda mais crianças, depois de várias críticas e risadas de sua aparência é um orgulho a ser celebrado, tanto que existiram movimentos como “Black Power”, “Black Is Beautiful” e também do partido Black Panther que além de lutarem pelos direitos civis e culturais dos negros nos EUA, celebravam o orgulho de sua estética, colocando como característica o cabelo crespo e pele escura quebrando assim os padrões de beleza. No Brasil acontece a “Marcha do Orgulho Crespo” com o mesmo objetivo.

Foto de divulgação da 3ª Marcha do Orgulho Crespo em Porto Alegre/RS

O cabelo crespo e seus diversos penteados como o variado tipo de tranças e utililização de acessórios como o turbante fazem parte da história e cultura negra, desde quando ancestrais afros eram reis e rainhas. Já os dreadslocks (Dreads = penteado com trança; Lock = quem usa tranças) se popularizaram na Jamaica, mais conhecidos dentro do movimento e religião Rastafári como forma de afirmação do negro e sua cultura, mundialmente ficaram conhecidos pelo artista Bob Marley e que inspirou diversos outros e anônimos a aderirem ao visual, ainda mais no festival de música Woodstock. Ainda não se sabe qual a origem desse penteado, mas há relatos de que já era usado na Índia e em países Africanos a.c. Além dos dreads, os estilos de tranças serviam para diferenciar as tribos africanas em diversos países, fazendo com que houvesse mais facilidade de identificar e não confundir componentes das mesmas e também representando status social.

Atualmente existe o festival AFROPUNK, o maior festival de música, moda, afrofuturismo e cultura negra do mundo que reúne pessoas de diversos estilos e de diferentes lugares. Nele é notável toda variabilidade do cabelo afro.

Levou-se anos para que aceitação crespa e sua versatilidade finalmente tomasse conta de pessoas pretas. Esses penteados não são apenas uma moda como falam que é hoje. Eles carregam histórias dentro da cultura negra de modo em que empodera homens e mulheres a mostrarem suas origens culturais e fortalecer quem são com todo o autocuidado possível e elevando cada vez mais autoestima de ambos. Por isso e outros N motivos batemos o pé na discussão sobre mulheres brancas usarem as box braids e turbantes e, através disso a mídia hegemonica normalizar e naturalizar o uso do penteado para milhares de pessoas. Não é só moda, é história, identidade e cultura!

Nunca perguntem à pessoas pretas como faz pra lavar cabelo crespo, trançado, dreads ou qualquer outro penteado. E também nunca perguntem se o cabelo é da pessoa. E principalmente, não cheguem colocando as mãos. Vocês estarão sendo inconvenientes!

Consideramos nosso cabelo como coroas, nos representam como Reis e Rainhas que eram nossos ancestrais. Nos expressamos por meio dele. É com ele que mostramos quem somos e nossas origens!

O NEGRO É LINDO!

Publicado por jordasgarcia

Acadêmica de Relações Públicas pela Universidade Federal de Santa Maria - Campus Frederico Westphalen

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