Cultura Kuna: Uma sociedade matriarcal

Kuna Yala, também conhecida como San Blas pelos turistas, é um arquipélago na costa leste do Panamá, com em média 300 ilhas, das quais 49 são habitadas pelo povo indígena Kuna. Por trás de um paraíso de paisagens deslumbrantes, mora uma hospitalidade e um jeito de viver diferenciado.

Os kunas vivem como seus ancestrais: em pequenos barracos de madeira, cobertos por folhas de palmeiras e redes. Os habitantes em sua maioria vivem na floresta, e possuem uma relação fortemente conectada com a natureza. A base alimentar é basicamente da coleta. Frutos do mar, arroz e coco representam quase 100% dos pratos típicos da região.

Nos dias atuais, a maior parte da população é cristã, o que ficou mais forte com a catequização europeia. Apesar disso, mesmo os que se dizem cristãos colocam a natureza em primeiro lugar, como sua fonte criadora.

As mulheres usam muitos adornos coloridos, a partir do momento da menarca (primeira menstruação), as meninas passam a usar dezenas de pulseiras de miçangas no antebraço e do calcanhar até o joelho, são as chamadas winis. Outro adorno interessante é o anel de ouro, que algumas mulheres usavam no septo. Esse “piercing”, por assim dizer, é usado só depois do casamento.

Foto: Paulo Cuenca

O que mais me interessou em saber um pouco mais sobre a cultura desse povo é a liderança por parte das mulheres e como são respeitadas, de maneira muito mais evoluída comparada à muitos centro urbanos. A sociedade é considerada matriarcal, ou seja, os princípios são baseados no modelo feminino de poder – inclusive são elas que confeccionam as molas, um dos itens artesanais mais típicos do Panamá e o principal artigo gerador de renda para os kunas. As poderosas figuras matriarcais dessa cultura são de suma importância para os homens.

Em um casamento tradicional de kunas, o homem jovem casado se muda para a casa da noiva. Desse momento em diante, seu trabalho pertence à família da mulher, e é ela quem decide se o marido pode compartilhar seus alimentos de pesca e frutos com seus próprios pais ou irmãos. Outras festas e cerimônias são todas para homenagear as mulheres. Existem três celebrações mais importantes nas ilhas Kuna Yala: o nascimento de uma menina, sua puberdade e seu casamento. Toda a comunidade se reúne para beber chicha, uma cerveja artesanal local, para celebrar a feminilidade.

Outra coisa que me surpreendeu sobre o povo de Kuna Yala, é a questão de gênero. Pela tradição, se um casal tiver 4 filhos homens, o 4º é tratado como uma mulher pelos próprios pais. Parece um tanto quanto problemático, rotular um filho desde o nascimento. A questão é que tanto homossexuais e bissexuais são muito bem aceitos na cultura, e inclusive, há uma boa parte dos habitantes que são transexuais assumidos, e não são impedidos disso com violência, pelo contrário, são naturalmente incluídos na sociedade.

Segundo os kunas, as crianças devem ter autonomia suficiente, pois o seu “eu” verdadeiro vem do coração.

Foto: Blaine Harrington

Kuna Yala demonstra ser um mundo alternativo de tolerância e compreensão – nos dá a chance de aprender a sermos mais humanos.

Publicado por Paloma Adams

Contato: palomadams@gmail.com

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